MARI

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Saturday, February 28, 2009

De um olhar de brisa


foto Fragmentus
Na verdade, a brisa era transparente, assumindo o cinza-(a)mar, o castanho-terra e o verde-prado; olhar tricolor que pretendia desvendar, com o auxílio do azul celeste que lhe soprava um quê de infinitude, e mistério.

No silêncio da madrugada, aquietava-se no subtil reflexo de raio lunar e voava, nesse mesmo instante, em projecção de desejo e resquício de memória.

De repente, fazia-se onda por que à sua passagem, sentia o mar a doce convicção do seu tocar. A brisa viajava, então, rumo à montanha que a (a)guardava em quase-inércia, e sussurro. Revestida de pretensa razão, como máscara de coração mas a brisa sabia da flor, do ribeiro e da neve, do (en)canto dos pássaros e da solidão que eram a sua expressão mais profunda, e bela, de si mesma.
Havia cor, som, movimento que dela emanavam quando assim fluía como poesia pura e, como bailarina das estrelas, a brisa cantava e dançava, rodopiante, por entre abraços e suspiros. Ela própria se fundia, como que por magia, na essência da montanha e viajava num simultâneo além e perto de si.

Já quase amanhecia e era hora de acordar a montanha, sacudindo ao de leve as pétalas das flores campestres, agitando cuidadosamente a palha dos ninhos, escorregando na água fresca do ribeiro, fazendo voar a neve em gotas cristalinas que acordariam, assim, aquele olhar de anjo perdido em infinito de si.

Schiuuuu...Sentiste? Acorda devagar, meu amor.
E a fada-nuvem murmurava: "estás apaixonada, brisa".

Friday, February 27, 2009

A brisa e a montanha

foto Fragmentus

Tornou-se leve, como a brisa.


Perfumou as flores que quase ressurgiam, por força da Primavera e orvalhou, em lágrimas de amanhecer e entardecer, as suas pétalas com a candura que só a esperança sabia plantar, no coração.


Percorreu suavemente os imponentes contornos da montanha, como que subtis beijos deixados em baile de estrelas, a cantar.


E a montanha, tão forte, quase estremeceu em murmúrio de paixão.


Secretamente a chamou de brisa, seu amor...Mas ela não escutou, não podia, se não era explícito. Em desalento de espera, refugiou-se no mar e entoava a música do mergulho.

Permanecia, só, como sempre fora. Uma alma peregrina e errante, paciente também.

Wednesday, February 25, 2009

De partida para o sonho

foto Fragmentus
A madrugada avança, em jeito de mudança.

É como brisa fresca, e renovada, que me redesperta para um novo (a)mar, sobretudo por que me sei fragmento de amor universal, um sopro de magia em entoação divina.

Amo-me, para ser capaz de amar. Sei que a força interior, o sorriso e a palavra amiga têm de ser dirigidos para mim própria, com a transparência de uma cristalina gota de água, sal renovado em chuva ou carícia orvalhada em beijo de flor.

Reavivo as minhas cores em horizonte de mim, em pretenso desapego de negatividade, em prol da positividade.

Ganho asas em sorriso de eserança selo-as com convicção de coração e parto, algures, para um rosto, uma mão e uma alma que voe também comigo, em espírito livre, caminhante e feliz.

Suspiro...como recuperação de fôlego, espaço de silêncio e de partida para o sonho.

Tuesday, February 24, 2009

Fragmento de (a)mar

foto Fragmentus

Serena-me sempre o mar, incansavelmente único, mas nunca igual, excepto na beleza ímpar que o reveste em tons de azul, verde e cinza.

Beija-lhe o sol, de nascente a poente. E a lua cai-lhe rendida, em brilho de amante, sempre que a noite, mágica, os envolve em manto de poesia e sedução.

Estou-lhe rendida, fascinada e cada vez mais sou sua amada... Sei que me lê nas entrelinhas do ser, que da lágrima brota o sorriso e do mistério o desafio aceite de existir, neste intenso sentir.

Sou fragmento de (a)mar, e pelas ondas vagueiam pensamentos, sentimentos, pedaços de desejo e emoção, liberdade em expansão.

Mergulho. Ancoro. Naufrago. Deambulo. Recolho. E contemplo-te em infinitude de mim.
Sei-me pó de estrela, grão de areia de praia, e deserto.

Sou tão pequena, tão ínfima, nada sou, nada tenho...Apenas um detalhe da existência, quiçá, um acidente da Criação...Não, vou acreditar, hoje, e sempre, que sou reflexo de Amor!

E que a tua essência divina se entrecruza na minha, tal como gotas que se tocam, em harmonia, translucidez e encanto aquoso.

Sentiste?
Fui eu, lágrima e beijo.

Subtil presença

foto Fragmentus

Invade-me a tranquilidade da manhã, da quietude, o silêncio.

Não quero, mas penso em ti e o meu coração agita-se em batimentos despropositados, como se só serenasse com a tua presença em mim.

Nada mais queria do que um toque de anjo arrastado pela brisa, e que as suas asas me envolvessem em (e)terno abraço.

Imagino que o teu rosto se debruça no meu, que o teu corpo se demora, se perde e reencontra, em mergulho de alma e doce prisão de espírito. Mas não estás, não existes, senão como mero sonho ou projecção mental.

Ainda assim, sorrio e (a)guardo-te.

Fecho os olhos, imagino e quase te sinto...como subtil presença.

Monday, February 23, 2009

Pelo infinito de mim

foto Fragmentus

Passeio pelo infinito de mim, em jeito de anjo.

Toco as estrelas, do mar, pelas ondas do meu sonhar.

Recolho-me, extasiada, no céu azul que vislumbro em luz e paz.

Sou caminhante, e peregrina, das ruas do universo que, em jeito de labirinto, me propõem o desafio de existir, em mágico sentir.